Escala de Braden passo a passo: como pontuar cada item sem errar
Por Tamires Lonardo · · Para estudantes e profissionais · 3 min
Os seis itens da escala de Braden explicados, um exemplo calculado do começo ao fim e os erros mais comuns de quem está aprendendo.
A escala de Braden é a ferramenta mais usada no Brasil para estimar o risco de lesão por pressão. Ela foi criada nos Estados Unidos por Barbara Braden e Nancy Bergstrom e traduzida e validada para o português por Paranhos e Santos, em 1999.
Ela é simples, mas fácil de pontuar errado. Este guia passa por cada item, mostra um exemplo completo e lista os deslizes mais comuns.
Como ela funciona
São seis itens. Cinco vão de 1 a 4 pontos e um (fricção e cisalhamento) vai de 1 a 3. O total fica entre 6 e 23, e quanto menor, maior o risco.
Uma classificação muito usada nos serviços brasileiros:
- 19 a 23: sem risco;
- 15 a 18: risco baixo;
- 13 a 14: risco moderado;
- 10 a 12: risco alto;
- 9 ou menos: risco muito alto.
Confira sempre a referência adotada no seu serviço: algumas instituições usam pontos de corte um pouco diferentes.
Os seis itens
1. Percepção sensorial
A pessoa consegue perceber e comunicar o desconforto causado pela pressão?
1 = totalmente limitada · 2 = muito limitada · 3 = levemente limitada · 4 = nenhuma limitação.
Pense em sedação, rebaixamento de consciência, AVC, lesão medular e neuropatia.
2. Umidade
Com que frequência a pele fica úmida (suor, urina, fezes, drenagens)?
1 = completamente molhada · 2 = muito molhada · 3 = ocasionalmente molhada · 4 = raramente molhada.
3. Atividade
Qual o grau de atividade física?
1 = acamado · 2 = confinado à cadeira · 3 = anda ocasionalmente · 4 = anda frequentemente.
4. Mobilidade
A pessoa consegue mudar e controlar a posição do corpo sozinha?
1 = totalmente imóvel · 2 = bastante limitada · 3 = levemente limitada · 4 = sem limitações.
Atividade e mobilidade parecem iguais, mas não são: alguém pode estar acamado (atividade 1) e virar sozinho na cama com facilidade (mobilidade 3 ou 4).
5. Nutrição
Qual o padrão habitual de ingestão alimentar?
1 = muito pobre · 2 = provavelmente inadequada · 3 = adequada · 4 = excelente.
Considere quanto da refeição a pessoa aceita, jejum prolongado, dieta por sonda ou parenteral.
6. Fricção e cisalhamento
A pele desliza ou é arrastada contra o lençol ao se movimentar?
1 = problema · 2 = problema em potencial · 3 = nenhum problema aparente.
Quem escorrega na cama com a cabeceira elevada, precisa ser "puxado" para cima ou tem espasmos costuma pontuar 1.
Exemplo completo
Dona M., 78 anos, internada após um AVC. Responde a estímulos, mas tem dificuldade para falar. Está com fralda e tem perdas urinárias várias vezes ao dia. Fica na cama, só muda de posição com ajuda e aceita metade das refeições. Escorrega quando a cabeceira é elevada.
- Percepção sensorial: 3 (percebe, mas comunica com dificuldade)
- Umidade: 2 (muito molhada)
- Atividade: 1 (acamada)
- Mobilidade: 2 (bastante limitada)
- Nutrição: 2 (provavelmente inadequada)
- Fricção e cisalhamento: 1 (escorrega na cama)
Total: 11, risco alto.
O número, sozinho, não cuida de ninguém. O que muda o cuidado é olhar quais itens pontuaram baixo: aqui, umidade (proteger a pele e manejar a incontinência), mobilidade e atividade (plano de reposicionamento e superfície de redistribuição de pressão), nutrição (avaliação nutricional) e cisalhamento (cabeceira até 30° quando possível e movimentar com lençol, sem arrastar).
Erros comuns
- Aplicar uma vez e esquecer. A avaliação deve ser feita na admissão e repetida periodicamente e sempre que o quadro mudar.
- Pontuar nutrição "no olho". Use o que está registrado: aceitação da dieta, jejum, via de alimentação.
- Confundir atividade com mobilidade.
- Usar só o número. A diretriz internacional recomenda combinar a escala com o julgamento clínico e a inspeção da pele.
- Não registrar o plano. Cada item baixo deve gerar uma ação no prontuário.
Referências
- Bergstrom N, Braden BJ, Laguzza A, Holman V. The Braden Scale for predicting pressure sore risk. Nurs Res. 1987;36(4):205-10.
- Paranhos WY, Santos VLCG. Avaliação de risco para úlceras de pressão por meio da Escala de Braden, na língua portuguesa. Rev Esc Enferm USP. 1999;33(n. esp.):191-206.
- EPUAP/NPIAP/PPPIA. Prevention and Treatment of Pressure Ulcers/Injuries: Clinical Practice Guideline. 2019.
Conteúdo educativo. Não substitui a avaliação de um profissional de saúde.