Estomia: como trocar a bolsa e cuidar da pele ao redor
Por Tamires Lonardo · · Para pacientes e cuidadores · 5 min
Colostomia, ileostomia e urostomia explicadas, o passo a passo da troca da bolsa, como proteger a pele e os sinais que pedem avaliação.
Uma estomia é uma abertura feita em cirurgia para ligar um órgão interno ao lado de fora do corpo. A parte visível, na barriga, se chama estoma. Por ela saem fezes ou urina, que ficam armazenadas em uma bolsa coletora.
Receber uma estomia muda a rotina, e é natural ter medo no começo. Com orientação e prática, a troca da bolsa vira um cuidado tão simples quanto escovar os dentes, e a grande maioria das pessoas volta a trabalhar, viajar, praticar atividade física e ter uma vida social normal.
Os tipos mais comuns
- Colostomia: ligada ao intestino grosso. As fezes costumam ser mais pastosas ou formadas, dependendo da parte do intestino.
- Ileostomia: ligada ao intestino delgado. A saída é mais líquida e contínua, e tem enzimas que irritam a pele com mais facilidade.
- Urostomia: desvia a urina. A saída é contínua, e a bolsa tem uma válvula própria para esvaziar.
Como é um estoma saudável
Um estoma saudável é vermelho vivo ou rosado, úmido e brilhante, parecido com a parte de dentro da boca. Ele não dói ao toque, porque não tem terminações nervosas de dor. É normal sangrar um pouco durante a limpeza, e esse sangramento para sozinho.
Nas primeiras semanas depois da cirurgia, o estoma costuma estar inchado e vai diminuindo de tamanho. Por isso é importante medi-lo a cada troca nesse período.
Os tipos de bolsa
- Uma peça: a base adesiva e a bolsa vêm juntas. Troca-se tudo de uma vez.
- Duas peças: a base (placa) fica colada na pele por alguns dias, e a bolsa encaixa nela. Dá para trocar só a bolsa.
- Drenável ou fechada: a drenável tem uma saída embaixo para esvaziar; a fechada é descartada quando enche.
A escolha depende do tipo de estomia, do formato da barriga e da rotina de cada pessoa. O enfermeiro estomaterapeuta ajuda a encontrar o modelo certo.
Passo a passo da troca
Separe o material
Bolsa nova, guia de medição, tesoura de ponta curva (se a base for recortável), gaze ou pano macio, água, saco para o lixo e, se indicado, removedor de adesivo, pó ou pasta de proteção.
Troque em um momento tranquilo
De preferência quando o intestino está menos ativo, como antes do café da manhã, ou antes do banho. Esvazie a bolsa antes de começar.
Passo a passo
- Lave as mãos.
- Retire a bolsa de cima para baixo, devagar, segurando a pele com a outra mão. Se tiver, use o removedor de adesivo. Puxar rápido machuca a pele.
- Limpe o estoma e a pele ao redor com água morna e gaze ou pano macio, sem esfregar. Evite sabonetes com hidratante ou óleo, porque eles deixam resíduo e a nova bolsa não gruda. Se usar sabonete neutro, enxágue bem.
- Seque completamente a pele, com toques leves.
- Observe o estoma e a pele: cor, inchaço, vermelhidão ou feridas ao redor.
- Meça o estoma com o guia e recorte a abertura da base cerca de 2 a 3 mm maior que o estoma. Abertura grande demais deixa a pele exposta às fezes ou à urina; apertada demais machuca o estoma.
- Cole a base de baixo para cima, centralizada no estoma, alisando para tirar bolhas de ar.
- Segure a mão sobre a base por um ou dois minutos. O calor ajuda o adesivo a aderir.
- Feche a saída da bolsa e confira o encaixe, se for de duas peças.
Quando esvaziar e quando trocar
- Esvazie quando a bolsa estiver entre um terço e metade cheia. Bolsa muito cheia pesa e pode descolar.
- Troque a base na frequência orientada pela equipe e pelo fabricante, que costuma ser de alguns dias.
- Troque imediatamente se houver vazamento, coceira ou ardor embaixo da base. Nunca remende uma bolsa vazando com fita: o conteúdo em contato com a pele causa dermatite rapidamente.
Cuidando da pele ao redor
A pele em volta do estoma (pele periestomal) deve ficar igual à do resto da barriga. Vermelhidão, ardor ou ferida geralmente significam que o efluente está encostando na pele. As causas mais comuns são:
- abertura da base maior que o estoma;
- base colada em pele úmida ou com resíduo de creme;
- dobras ou cicatrizes na barriga que criam "caminhos" para o vazamento;
- trocas muito frequentes, que irritam a pele pela remoção do adesivo.
Existem acessórios, como pós, pastas, anéis e cintos, que resolvem muitos desses problemas. Mas o ideal é que eles sejam indicados por um profissional, depois de avaliar a causa.
Sinais que pedem avaliação
Procure o serviço que acompanha o paciente se notar:
- estoma escuro, roxo ou preto, ou muito pálido;
- estoma que afundou (retração) ou que saiu muito para fora (prolapso);
- abaulamento na barriga ao redor do estoma, que aumenta ao tossir ou fazer força (pode ser hérnia);
- sangramento que não para ou que vem de dentro do estoma;
- pele ao redor com feridas que não melhoram em poucos dias;
- na ileostomia, saída muito líquida e em grande volume, com sede, boca seca, tontura ou pouca urina (sinais de desidratação);
- ausência de saída por várias horas acompanhada de cólica, barriga distendida ou vômitos.
Você não está sozinho: direitos da pessoa com estomia
No Brasil, a Portaria SAS/MS nº 400/2009 estabelece a atenção à saúde das pessoas com estomia no SUS, incluindo o fornecimento de bolsas coletoras e adjuvantes. O acesso é feito pelos serviços de atenção à pessoa estomizada do seu município ou estado. Pergunte na unidade de saúde onde fica o serviço de referência mais próximo.
A legislação brasileira também reconhece a pessoa com estomia como pessoa com deficiência (Decreto nº 5.296/2004), o que garante direitos como atendimento prioritário.
Grupos de apoio e associações de pessoas estomizadas são ótimos lugares para trocar experiências. Conversar com quem já passou pela adaptação ajuda muito nos primeiros meses.
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Portaria SAS/MS nº 400, de 16 de novembro de 2009 (atenção à saúde das pessoas ostomizadas no SUS).
- Brasil. Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004.
- SOBEST. Guia de Atenção à Pessoa com Estomia.
- World Council of Enterostomal Therapists (WCET). International Ostomy Guideline, 2nd edition. 2020.
Conteúdo educativo. Não substitui a avaliação de um profissional de saúde.